15 dicas para não cair na malha fina

15 dicas para não cair na malha fina

“Cair na malha fina” significa que a Receita Federal encontrou valores incorretos, rendimentos omitidos, informações cadastrais erradas, entre outras inconsistências na sua declaração. Também pode acontecer de a Receita Federal reter a sua declaração por falta de documentos que comprovem as informações declaradas. Quando isso acontece, você não recebe a restituição até que todas as informações sejam retificadas e devidamente comprovadas.

Se a Receita Federal encontrar inconsistências nas informações enviadas, sua declaração do Imposto de Renda pode ficar retida e cair na malha fina. Veja as principais dicas para evitar essa situação. Lembre-se: o prazo para a declaração do Imposto de Renda 2023 segue aberto até o dia 31 de maio.

1. Tenha os documentos em mãos

Reúna todos os documentos pessoais, comprovantes, recibos de rendimentos e outros gastos dedutíveis. Aqui entram, por exemplo, notas de corretagem, informe de rendimentos do IR e planilha de controle, incluindo informações sobre os seus dependentes. Ter esses documentos em mãos vai te ajudar a se organizar na hora de fazer a declaração e comprovar as informações declaradas.

2. Cuidado com erros de digitação

Se você informar valores errados à Receita – por um dígito a mais ou a menos, por exemplo –, sua declaração pode ficar comprometida e, assim, aumentam as chances de você cair na malha fina. Para evitar que isso aconteça, depois de preencher todas as informações, reserve um tempo para revisá-las e verificar se está tudo certo.

3. Rendimentos isentos também precisam ser declarados

Ainda que não haja tributação sobre rendimentos como bolsa de estudos, herança ou doações, eles precisam ser informados na declaração anual de IR.

4. Atenção na hora de declarar dependentes

Você precisa declarar todos os rendimentos recebidos pelos seus dependentes mesmo se eles forem menores de idade. Além disso, cada pessoa só pode ser considerada dependente em uma declaração. Ou seja: um filho de pais separados só pode ser declarado como dependente de um deles.

5. Informe o valor real dos seus bens

Se você tem veículos, imóveis ou outros bens, é necessário declará-los com o valor de aquisição, e não de mercado. Em outras palavras, isso significa que você precisa declarar esses bens com os valores que pagou por eles – independentemente de quanto eles valem atualmente. Se você fizer a declaração com base no valor de mercado, isso pode aumentar ou diminuir o seu patrimônio em relação a quanto ele realmente está avaliado.

6. Informe o saldo das suas contas bancárias corretamente

Saldos acima de R$ 140 precisam ser declarados. Se você tiver conta em mais de uma instituição e tenha um saldo na conta igual ou superior a esse valor, lembre-se de declarar todas elas. Outro ponto importante é nunca permitir que outras pessoas movimentem dinheiro na sua conta: além da prática ser arriscada, existem chances de você cair na malha fina se a sua movimentação não for compatível com os seus rendimentos.

7. Acompanhe o status da sua declaração

Depois do contribuinte concluir e enviar a declaração online ou no programa do IR 2023, a Receita Federal leva em torno de 48 horas para cruzar os seus dados com as instituições financeiras. Caso a Receita encontre alguma inconsistência, o contribuinte consegue acessar as pendências apontadas e tem um prazo para regularizar essas informações. Assim, você pode conferir as inconsistências o mais rápido possível e resolvê-las para evitar multas.

8. Não confunda IRRF com seu imposto de renda total

Além do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), ainda existem outros valores para serem acertados com o Leão, como no caso de investimentos, já que as operações na Bolsa de Valores não têm o IR devido totalmente retido pela corretora. Assim, você é o responsável por declarar o valor restante.

9. Aposentadoria privada: não confunda VGBL com PGBL

Os contribuintes que têm aposentadoria privada podem ter planos VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) ou PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre). E, como cada um deve ser declarado de uma forma específica, cometer um erro fica mais “fácil”.

No caso do PGBL, um erro comum é informar somente o saldo da previdência na declaração. Na verdade, devem ser informadas as contribuições feitas (quando não houver contribuição, não há necessidade de declarar).

O VGBL, por sua vez, deve ser declarado como uma aplicação financeira, e deve ser informado o saldo da aplicação até o dia 31 de dezembro de 2022.

10. Tenha os recibos e comprovantes das despesas médicas

As despesas médicas e qualquer outro gasto relacionado à saúde, quando informados na declaração, podem ser deduzidos integralmente do cálculo do Imposto de Renda. Para isso você precisa apresentar o comprovante de que ela foi realizada. Esse é um dos pontos em que a Receita Federal tende a ser mais rigorosa.

11. Não declare o décimo terceiro salário junto dos demais rendimentos

O décimo terceiro salário não deve ser somado aos demais rendimentos tributáveis, como os salários de outros meses. Isso porque ele é de tributação exclusiva na fonte e não dá direito a restituição. Vale lembrar que a tributação sobre os salários dos outros meses ainda pode ser restituída, em caso de tributação excessiva.

12. Informe suas ações corretamente

O primeiro erro que você pode evitar na hora de declarar investimentos no Imposto de Renda é não informar lucro com ações. Quem investe na Bolsa de Valores precisa informar as operações e retenções, ou seja, a antecipação do imposto, no anexo “renda variável” da declaração anual.

Para quem não sabe, os lucros com vendas de ações de até R$ 20 mil em um único mês são isentos de Imposto de Renda para pessoa física. Mas, acima desse valor, você deve pagar 15% sobre os ganhos. A isenção também não vale para quem faz day trade, que são aquelas operações de compra e venda de ações no mesmo dia.

Lembre-se: ao comprar uma ação, você precisa informar o custo de aquisição da ação, não o quanto ela valia no último dia do ano. Veja aqui como calcular o preço médio de ações aqui.

Por exemplo, se você comprou uma ação em julho por R$ 15, esse é o valor que precisa ser declarado. Mesmo que em dezembro a ação tenha chegado a R$ 37, mantenha o valor pelo qual você adquiriu o papel.

Por fim, não custa lembrar que os investidores que não informarem o lucro em Bolsa estarão sujeitos a multa e juros.

13. Recolha o IR mensalmente e pague o DARF

Quando você investe em ações, precisa apurar os resultados mensais das suas aplicações e calcular o imposto devido. Essa situação é válida para ganhos na venda de ações, se o valor da venda for superior a R$ 20 mil.

Isso acontece porque, como já foi mencionado, as corretoras retêm na fonte apenas uma pequena parcela desse imposto. Assim, para fazer o pagamento total, você precisa gerar o DARF pelo Sicalc Web, no site da Receita Federal.

O DARF é o Documento de Arrecadação da Receita Federal. Ele é usado para pagar taxas, tributos e outros impostos. Além disso, no caso dos investimentos, ele funciona para recolher o imposto do lucro com ações e fundos imobiliários.

Só que esse pagamento do imposto tem que ser feito até o fim do mês seguinte ao seu investimento. Então, se você registrar ganhos com suas ações no mês de março, por exemplo, precisa pagar o imposto até o último dia útil do mês de abril.

Portanto, não considerar o recolhimento mensal do IR, caso haja ganho, é um erro e pode fazer você perder dinheiro. Em outras palavras, se você não quitar o DARF até o fim do prazo, terá que pagar multa e juros. Fique ligado e acompanhe os seus lucros para recolher o imposto corretamente.

14. Declare os investimentos isentos

Todos os seus investimentos devem ser declarados no Imposto de Renda, mesmo que eles sejam isentos de tributos. Portanto, se você aplicou em Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e até mesmo na poupança, esses investimentos devem constar em sua declaração anual.

15. Tenha um bom controle financeiro

Uma das principais formas de evitar cair na malha fina é manter uma visão das suas movimentações financeiras. Ou seja, tenha um bom planejamento financeiro. Isso com certeza vai te ajudar a hora de preencher a declaração, porque, assim, você não vai precisar puxar as informações da memória e garante mais tranquilidade quando o prazo da Receita Federal chegar. Uma maneira de se organizar é colocando esses dados em uma planilha mensal, por exemplo. Dessa forma, você vai saber o quanto gastou, onde gastou, quais foram os investimentos, as despesas do cartão de crédito e muito mais.